25 Abril 2012

Para amolecer o mais duro coração capitalista!


Livro: Germinal
Autor: Émile Zola (1840 - 1902)
Editora: Abril Cultural - 1979
Páginas: 535

Nesta minha caminhada na eterna e árdua labuta acadêmica como estudante de filosofia na Universidade Estadual do Ceará, já fui exposto a inúmeras manifestações ideológicas e literárias. 

A maioria destes tem uma grande carga de ideologia esquerdista. Alguns tão fervorosos que, por um segundo, parece que você está vivendo na clandestinidade como defensor do comunismo na ditadura da década de setenta aqui no Brasil.

Por incrível que pareça, mesmo cursando filosofia, vez por outra dou uma pulada de cerca para adulterar com a sociologia. Aprecio bastante as obras de Marx e Durkheim. Principalmente Durkheim.

Obviamente, quando li Marx, olhei o texto com a mente contextualizada a todas as circunstâncias em torno daquele conturbado final de século IXX. Diante do caos e exploração que ocorria naquela época, afirmo que a obra e pensamento de Marx foi necessário como protesto à desumana exploração e animalização que a revolução industrial estava fazendo com boa parcela dos trabalhadores.

Apesar de achar bastante infantil a postura quase religiosa que alguns grupos de esquerda leem (e por vezes até acham que pratica) os textos de Marx, creio que seu protesto pode sim ecoar em algumas categorias nas relações de trabalho hoje. 

Pena que, a meu ver, as posturas de plano de ação das manifestações de esquerda fracassam vergonhosamente ao não adaptar o discurso ao nosso contexto. 

Enfim, apesar de ter gostado muito dos textos destes distintos sociólogos, nenhum deles conseguiu me tocar tão profundamente como esse romance de Émile Zola.

Émile Zola

Ao contrário de uma tese acadêmica que, para ter credibilidade técnica, têm-se que manter um certo distanciamento para que a análise seja embasada apenas em fatos e estatísticas; Germinal é uma lente da qual o leitor é levado para as mais profundas entranhas do que era ser um trabalhador assalariado, ralando numa mina de carvão, naquele tempo de revolução industrial à todo vapor.

Definitivamente este é, sem dúvida, o poder do romance. Pois é impossível o leitor não se sentir na pele destes mineiros dia-a-dia adentrando na escuridão da terra. Todos eram tragados pela mina! Mulheres, crianças, idosos, trabalhando por horas a fio, por uma migalha de salário, numa era onde não havia sindicatos, nem plano de saúde, nem dignidade, nem esperança, nem nada.

A autor, para construir esta visceral narrativa naturalista, passou um período trabalhando numa mina no interior da França (exatamente o contexto dos personagens do livro), vivenciando o difícil destino de toda uma massa humana esquecida pelo estado e por Deus.

Saindo das tripas da terra depois de um longo expediente
Final do século IXX


Zola criou personagens inesquecíveis, cheios de personalidade e humanidade. Exprimindo esse estado de ser humano nos extremos; da mais suja bestialidade, a mais sublime cordialidade. Está tudo ali, o homem retratado com todo seu paradoxo. 

Voltando ao que estava discorrendo no começo desta resenha. Falei sobre os sociólogos e aquele papo de esquerda só para dizer que nenhum discurso de cunho ideológico conseguiu chegar sequer perto do impacto que foi o livro Germinal na minha alma.

Acredito que Émile Zola realmente escolheu o melhor caminho para nos transmitir tudo aquilo que estava no âmago de sua indignação por conta daquela realidade sub-humana. E assim, ao invés de páginas e páginas de teorias, agarrou o leitor pelos cabelos e o levou a intimidade dos mineiros. Usando esta matéria prima teceu um dos maiores e mais comoventes romances de todos os tempos. E impactou e conscientizou várias gerações. 

Inclusive a mim, um capitalistazinho vendido leitor de Veja.

27 Março 2012

Meus natais inesquecíveis com os Secos & Molhados



Artista: Secos & Molhados
Álbum: Secos & Molhados
Ano: 1973
Gravadora: Continental

É viva em minha memória o mágico dia que conferi, ao vivo, uma performance do Ney Matogrosso.

Foi numa edição do Ceará Music, não lembro o ano. Pouco importa! Até porque, no geral, o festival Ceará Music é perfeitamente esquecível. Enfim. Lembro que era um show do Ney junto com a banda Pedro Luís e a Parede. Comprei o ingresso para ver o show deles, e no cronograma eles entravam após o CPM 22. Lembro aquela multidão de adolescentes com camisas pretas afastando-se do palco principal, sendo substituída por um mar de gente grisalha, boa parte coroas descolados, tentando ficar o mais perto possível do palco para melhor aproveitar o espetáculo que ia se seguir.

Dava pra perceber que vinha algo, no mínimo, faraônico. E aí, finalmente, o palco explodiu em luzes e ritmos, e toda aquela atmosfera circense era conduzida por um frontman simplesmente espetacular. Olhava em volta as inúmeras faces naquele mar de gente e o que via era um transe coletivo, olhos fixos no palco, hipnotizados por aquela entidade andrógena que seduzia a todos com movimentos e aquela voz inconfundível. Era uma metamorfose atrás da outra. A cada canção era incorporada uma energia diferente. Parecia que Ney, com aqueles olhos cheio de sombra, achava-me no meio daquela multidão. Tive neste show uma de minhas melhores experiências. Era algo que ia do erótico ao espiritual. Como se ele conduzisse o público a uma espécie de ritual. Uma sensação mística única. E olhe que eu tava só na cerveja.

Pois aquele mesmo distinto senhor de meia-idade que levava o público do Ceará Music a um orgasmo cósmico, foi o mesmo que, décadas antes, incendiava a música brasileira à frente do grupo Secos & Molhados.

Secos & Molhados
Androgenia e modernidade musical em época careta de regime militar.

Tem certos grupos que precisam de um tempo para, através de duro trabalho, estabelecer-se no mercado musical, conquistando público aos poucos. Secos & Molhados chegaram chutando o pau da barraca naquela primeira metade da década de setenta. Uma época onde a indústria musical tinha como principal vendedor de vinis um Roberto Carlos já adentrando num engessamento romântico, e Caetano embarcando em discos experimentais (geniais é claro, mas feitos para poucos ouvidos).

Secos & Molhados foi, de certa forma, um catalizador de influências brasileiras e gringas. Eles pegaram tudo, desde a tropicália, música tradicional portuguesa, poesia, teatro e psicodelia roqueira dos anos sessenta. Colocaram tudo isso num liquidificador e construíram um álbum que conseguiu arrebatar as massas. O disco homônimo foi um estouro astronômico nas Fm's. O próprio mercado fonográfico brasileiro foi pego de surpresa e não tinha estrutura suficiente para abarcar a demanda de pedidos de discos em todo o Brasil. Praticamente algumas fábricas tiveram que dedicar um período para produzir exclusivamente o álbum dos Secos & Molhados. Foram centenas de milhares de exemplares vendidos em poucas semanas. E lá estava ele, Ney Matogrosso, à frente disso tudo, com sua mesma androgenia e performances bizarramente atraentes, num contexto de ditadura extremamente feroz e implacável com a classe artística no país.

Lógico que aqui, para os fãs mais vorazes dos Secos & Molhados, quero deixar claro que, por estar focando a banda mais na figura do Ney, não estou desmerecendo as preciosas participações dos músicos e compositores Gerson Conrad e João Ricardo. É óbvio que o Secos foram uma construção da exata química dos três. Sem tirar nem pôr. Todos sabem que Ney é um excelente intérprete. Mas como compositor, nadica. Então essa parceria foi exatamente a união do Fósforo + Tanque de Gasolina.

Ainda assim, ouso blasfemar dizendo que Secos & Molhados foi um estouro, por conta principalmente do poder estético que o Ney proporcionava com suas performances no palco. A imagem em si era impressionante.

Antes que alguém jogue o primeira caixa pesada de som Gradiente na minha cabecinha, vá lá no Google e pesquise o que foi a trajetória dos Secos sem o molhado do Ney, e compare com a meteórica carreira que o Ney construiu nas décadas seguintes. É só somar 2 + 2! Que aliás, vai dar... Ummm... Há, deixa pra lá pô! E eu por um acaso sou o Pasquale pra entender tanto de matemática?

A própria capa do disco sugere exatamente algo que é para ser devorado, como um verdadeiro banquete a Baco, Afrodite, ou a ambos juntos, de braços e abraços num romance astral. Brincadeiras psicodélicas à parte, a capa não deixa de ser um belo de um aperitivo servido ao público. E pelo número assombroso de vendas em pouco tempo, parece que o povo tava mesmo com uma fome dos diabos. A concepção da capa foi sacada genial do fotografo carioca Antônio Carlos Rodrigres. Que aliás, já tinha feito fotografias semelhantes usando a cabeça da esposa. O porquê? Não faço a mínima! Cada um com suas psicopatias.

Mas para mim, Secos & Molhados não está relacionado a nenhum desses contextos sociais e culturais do início dos anos setenta. Ao contrário, essa banda só me faz lembrar das inesquecíveis festas de Natal na casa do tio Clóvis.

Toda família que se preze tem uma figura como o tio Clóvis. Aquele cara que tem uma espécie de poder agregador. É aquela figura que não dá para imaginar uma festa familiar sem a presença dele. Geralmente é aquele sujeito engraçado, de meia idade, que em toda reunião familiar toma umas a mais e faz a alegria da criançada! Nunca vou esquecer os meus diversos natais e fins de semana que passei na casa dele.

Tio Clóvis

E foi exatamente esse cara, tio Clóvis, que me fez gostar de Secos & Molhados. O engraçado é que fisicamente ele até lembrava muito o Ney. E sempre o ápice da nossa festa de natal era ele amarrando uma faixa na cabeça e incorporando o Ney Matogrosso cantando e dançando O Vira, Sangue Latino e por aí vai. E ao redor dele era um monte de sobrinhos dançando e pulando juntos, todos divertindo-se pra cacete, celebrando à vida!

Tio Clóvis era um cara que, como poucos, conseguia viver plenamente o famoso paradoxo do Maluco Beleza, controlando a maluquez misturado com a lucidez. Podia beber todas no domingo depois da vitória do Senna, mas segunda-feira tava lá, de cara limpa, pontualmente no trabalho. E assim por anos à fio.

- Presta atenção véi, o vira se dança assim ó!
Tio Clóvis tentando inutilmente fazer um zé mané (eu!) dançar O Vira

Na tradição judaica, um homem podia considerar-se plenamente feliz se tivesse Deus, um trabalho digno, uma mesa farta com filhos e esposa em volta, e claro, um bom vinho (ou cerveja) para alegrar o coração! Bem, se isso é realmente a felicidade, tio Clóvis, eu lhes asseguro, foi feliz como poucos.

Além de me ensinar a gostar de Secos & Molhados e abrir minha mente para o fato de a felicidade morar nas coisas mais comuns e ordinárias da vida, é graças a ele que eu também passei a ter outra perspectiva sobre a morte. Infelizmente tio Clóvis foi acometido de um câncer fulminante no esôfago.

Foram meses no hospital. E mesmo com o corpo definhando, entre cirurgias, pós-operatórios e quimioterapias, em todas as vezes que tive a oportunidade de passar a noite com ele no Hospital Geral de Fortaleza, nunca o vi perder a dignidade e bom humor diante da iminência da morte. Enquanto pôde, sempre ele levantava do leito e ia em outros quartos cumprimentar e contar piadas para outros pacientes. Que a tia Sônia nunca saiba, mas quantas vezes uma linda estudante de medicina fazendo residência ia lá examiná-lo e ele, malandro, piscava o olho pra mim e dizia:

- Tá vendo? Essa aí é doidinha por mim!

Numa dessas noites em que ele acordou no meio da madrugada, começamos a conversar e perguntei se ele tinha medo da morte.

- Medo pra quê cara? Todo mundo morre!
- Eu sei, mas... O senhor já parou pra pensar sobre o que deve ter do outro lado?
- Do outro lado de quê?
- Da morte.

- Há! Ummm... Deus né não?
- Deus? Simples assim?
- E tu ainda quer mais bixo?

Tio Clóvis foi-se com uma dignidade tão grande que, acredito, onde ele esteja, certamente ficaria profundamente ofendido se eu pelo menos esboçasse um mínimo de medo dessa velha ranzinza chamada morte.

- Todo mundo morre!

É verdade cara, todo mundo morre! Simples assim! Valeu tio Clóvis!

Desde que ele partiu, minha família nunca mais se uniu pra celebrar o natal juntos.

Mesmo assim, passados todos esses anos, é sagrado toda véspera de natal eu tomar uma cervejinha e ouvir esse clássico álbum do Secos & Molhados em homenagem a ele. Às vezes sinto saudades dos meus primos, hoje todos adultos, com suas famílias, tocando as próprias vidas. Saudades da véspera da meia-noite de natal, todos famintos, e o delicioso cheiro da comida da tia Sônia invadindo a casa inteira. Meus olhos brilhavam quando eu ouvia ela chamando da sala de jantar:

- Tá pronto! Bora comer negrada! 

Saudades dessa época que eu era feliz e, sinceramente, sabia disso! E como sabia!

Festa de natal 1995
Em pé: Junior, tio Clóvis, Heltin e Carla (Sim, é uma mulher!)
Agachados: Wiltin e eu
No outro dia esse adolescente de camisa listrada incluiu a palavra ressaca no vocabulário dele!  

E muito provavelmente vou dar o prazer de, em um natal, num futuro próximo, tomar um pilequinho a mais, amarrar uma faixa na cabeça, e assim, eternizar-me no coração dos meus filhos, dançando e cantando Sangue Latino pra eles!

Secos & Molhados tão rápido quanto veio, foi-se. Brigas internas por conta de egos inflamados e, claro, dinheiro, foram determinantes para um ponto final na carreira dessa banda durante a gravação do segundo álbum, em 1974. Mas isto já é uma outra estória.

Porém o legado dessa banda, no que depender de todos os tio Clóvis dentro de cada um de nós, permanecerá para sempre na mente e alma de muitas gerações.

FAIXA A FAIXA:

1 - Sangue Latino (João Ricardo - Paulinho Mendonça)


Música que abre o álbum, certamente é um dos grandes hits ao lado de O Vira. Fala das lutas e dificuldades da condição de ser Latino-Americano, condição essa bastante difícil naquela conturbada década de setenta.

E o que me resta é só um gemido
Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minh'alma cativa.



A canção é executada em uma excelente linha de baixo, acompanhada por violões. A voz de Ney entra na canção nos arrebatando para uma verdadeira viagem. Até hoje Ney, quase sempre, canta essa canção em seus shows. E, além disso, essa era certamente uma das prediletas do tio Clóvis!

2 - O Vira (João Ricardo e Luhli)

Certamente é a canção mais, digamos, divertida do álbum. Foi um verdadeiro estouro nas Fm's. Com uma levada rock, misturados a música tradicional portuguesa, e toda a diversidade do folclore brasileiro, essa combinação foi excelente para tornar essa música super dançante um dos carros chefe do álbum.

Até hoje ela é uma música que certamente embala qualquer festa, com pessoas de qualquer idade.

Faça uma experiência, vá a uma festa de criança e coloque essa música pra tocar, e veja se elas não vão à loucura!

Acho que depois dessa canção, só o Vira-vira dos Mamonas tiveram um impacto parecido.

E lá no fundo azul
Na noite da floresta
A lua iluminou
A dança, a roda, a festa



3 - O Patrão Nosso de Cada Dia (João Ricardo)


Muitas coisas poderiam ser ditas sobre essa canção.

É praticamente uma poesia do João Ricardo musicada por uma linda linha de violão com uma flauta que dá o tempero final para a apoteótica voz de Ney encantar-nos a alma.

Essa canção, para mim, representa todo aquele sufocamento que o mercado de trabalho nos dá. Uma rotina incessante, dia após dia, sem trégua.

Eu dei-lhe a flor da minha vida
Vivo agitado


Até que ponto essa rotina de trabalho nos alienam de nós mesmos? Qual o sentido do existir se não o conhecer a nós mesmos? E até que ponto nossa rotina contribui ou atrapalha nessa caminhada de auto-conhecimento?

Quero eu chegar ao fim da minha existência na humildade de que tudo o que mais eu consegui conhecer na vida foi tão somente a mim mesmo!

Eu já não sei se sei
De nada ou quase nada

Eu só sei de mim, Só sei de mim
Só sei de mim.


4 - Amor (João Ricardo e João Apolinário)


Basicamente é um poema de João Apolinário musicado por seu filho João Ricardo. Música muito ritmada, com uma outra marcante linha de baixo e com direito a gaita! Na última estrofe temos João Ricardo cantando. Cara, mesmo ao som de violão, como essa canção não deixa de ter uma ótima levada de rock sessentista!

5 - Primavera nos Dentes (João Ricardo e João Apolinário)


É a maior duração de uma canção do Secos & Molhados. Um blues-rock cósmico. Dizem que inspirado até no rock progressivo. Começa com um piano e uma guitarra dando solos, entrando depois o corpo das vozes de Ney, João Ricardo e Gerson Conrad. Para mim é a letra mais forte e densa do grupo. Mais uma parceria de João Ricardo musicando os poemas de seu pai João Apolinário.

Quem tem consciência para ter coragem
Quem tem a força de saber que existe


Está entre as minhas prediletas do álbum!

6 - Assim Assado (João Ricardo)


Curiosa a estória dessa música. Fala de um guarda que pega um velho as duas da manhã perambulando pela rua, e pelo fato da cor do velho não ser a cor padrão, o guarda resolve matá-lo.

Mesmo isso sendo uma bela duma crítica ao rigor intolerante da ditadura. Essa canção pode ser colocada como voz contra todo tipo de intolerância. Muita gente por aí acha que para se ser gente tem que ser assim assado, e vai criando muros intransponíveis para a convivência da diversidade.

A canção tem uma levada cheia de elementos como batuques, flautas, e no meio na música uma levada bem  rock, com guitarra distorcida e tudo.

Mas mesmo assim o velho morre, assim, assim
E o guarda belo é o herói assim assado
Por que é preciso ser assim assado
Por que é preciso ser assim assado


7 - Mulher Barriguda (João Ricardo e Solano Trindade)


 Por mais simples que seja, outra letra que fala da condição da existência.

Mulher barriguda que vai ter menino
Qual o destino que ele vai ter?


Se hoje o futuro para todos é uma incerteza sem tamanho, por conta de violência, desastres imprevistos e etc. O que dirá então numa época tão oprimida pela ditadura, e ainda sob essa sombra claustrofóbica de uma guerra fria que podia se tornar quente à qualquer momento?


Uma das músicas mais Rock'in Roll do álbum, é levado por uma bateria rápida e competente, e um fundo de gaita que dá todo um toque especial a canção.

8 - El Rey (Gerson Conrad e João Ricardo)


Essa canção, se você fechar os olhos para ouvir, vai certamente ser arrebatado para época medieval, com uma levada de violão e uma flauta, a canção se torna especial com a voz de Ney passeando pelas melodias.

É possível que essa poesia trate da visita do monarca de Portugal (Manuel I, que era rei no período de Pedro Álvares Cabral) fez ao Brasil após o descobrimento.


9 - Rosa de Hiroshima (Gerson Conrad e Vinicius de Moraes)


 Uma celebração à paz. Ao mesmo tempo uma crítica feroz ao quanto é grotesca a ideia de guerra. Usando como referência um poema de Vinicius de Moraes sobre aquela aberração que foi os ataques a Hiroshima e Nagazaki com bombas nucleares. Um verdadeiro estupro a humanidade.

No poema, musicada com violão e flauta, é-nos alertado o fato de jamais esquecer-nos desta catástrofe para isso não se repetir. Mas pelo visto, basta ver os noticiários para perceber que a humanidade não anda aprendendo a lição com os erros do passado.

Mas oh! Não se esqueçam da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroshima, a rosa hereditária
A rosa radioativa, estúpida, inválida


10 - Prece Cósmica (João Ricardo e Cassiano Ricardo)

Essa basicamente virou um hino hippie na época! Poesia de Cassiano Ricardo musicada por João Ricardo, tem uma levada já característica dos Secos & Molhados, com violões, guitarras e agora com violinos. Cantado em coro por todos os integrantes da banda.

11 - Rondó do Capitão (João Ricardo e Manuel Bandeira)


Já deu pra perceber que muitas das músicas dos Secos & Molhados são poemas musicados. Neste caso, este poema de Manual Bandeira musicado por João Ricardo se tornou um grande sucesso para o público infantil na época!


12 - As Andorinhas (João Ricardo e Cassiano Ricardo)


Outro poema musicado por João Ricardo. As Andorinhas contém apenas uma frase, tem menos de um minuto, mas mesmo assim você sente nela um impacto, quase como se fosse um mantra.

13 - Fala (João Ricardo e Luhli)


E pra fechar o álbum com chave de outro entra em cena essa música espetacular!

Eu não sei dizer
Nada por dizer
Então eu escuto


Nossa, a primeira vez que eu ouvi essa música senti um calafrio daqueles. Uma canção linda, melódica, que gruda na sua alma e não sai mais. Uma verdadeira viagem sonora, com direito a sintetizador e tudo!

É sem dúvida minha canção predileta do disco. E o por quê eu explico logo abaixo!

A PREDILETA:


Nunca vou esquecer a noite em que ouvi a canção Fala dos Secos & Molhados pela primeira vez. Era natal na casa do tio Clóvis! Já tinha passado a ceia e a madrugada ia avançando! Meu primos já pra lá de bagdá estavam na calçada conversando, muitos familiares já tinham ido embora, e eu tava na sala perto do som quando o tio Clóvis veio colocar mais uma música:

- Ei tio, aquele disco do lobisomem é massa ó! O senhor devia ganhar dinheiro na televisão, imita o cara da banda direitim!
- Tu num viu foi nada bixo, saca só essa véi! A melhor música deles!


Tio Clóvis botou a música pra rolar, e fez uma apresentação apoteótica! E só tinha eu como testemunha!

Essa canção sempre vai ser especial pra mim! Hoje percebo como a música vai além de sonoridade nua e crua. Ela é também a trilha sonora da vida. Está presente como trilha de nossas lembranças e sentimentos. Eu amo a música por isso, e tive sorte de ter na minha vida bons mentores musicais!

Valeu tio Clóvis, essa vai pra você meu velho! Obrigado por tudo!




*   *   *   *

INTERLÚDIO

E aí? O que acharam do novo visual do blog?

Isso é nada mais nada menos que fruto de uma parceria antiga!

Jonas Gomes é um desenhista de mão cheia, cearense, radicado em São Paulo, e é responsável pelos excelentes layouts do blog Mundo Facundo!

Jonas Gomes

O cara é tão fera que fez participação na parte de animação do filme Dois Coelhos, veja trailer do filme abaixo:



Se você quiser conferir outros trabalhos espetaculares do Jonas Gomes, abaixo está o excelente blog dele, onde regularmente ele posta suas criações recentes, inclusive todos os layouts que ele fez para o blog Mundo Facundo!

Confiram no link abaixo:

http://casitaroja.wordpress.com/

Além de todos estes trabalhos dele, ainda encontra tempo de ser um grande amigo meu!

Cara, tu me mata de orgulho! Parabéns pelo teu trabalho! Você vai longe meu velho! O blog Mundo Facundo sempre vai estar de olho nas linhas que você rabisca!

Enfim, é isso pessoal! Té mais!

10 Dezembro 2011

Confesso: Sou garoto de programa!

Introdução

É isso mesmo pessoal, eu agora sou garoto de programa. Já faz um tempinho que queria declarar isso publicamente no meu blog mas por falta de tempo... Quer dizer, por pura negligência da minha parte para com vocês, desocupados leitores, só agora é que eu realmente sentei o traseiro na cadeira para falar desta minha nova empreitada. E sobre isso vos falo agora.

Capítulo 1
Como tudo começou

Este humilde blog surgiu na ideia de ser um espaço para eu escrever crônicas sobre a minha vida (original não!?). E se você tiver paciência para ir aos primeiros textos, verá que houve tentativas. Era uma mistura de idéias poéticas com minhas percepções do cotidiano. Enfim, devo ter escrito um pouco mais de seis textos e, como era de se esperar, o blog, digamos, deu uma morrida. 

Chegou um momento que simplesmente me faltava imaginação para escrever. Um branco criativo que se alastra como um vírus na vida de muitos blogueiros sinceros. E quando caia de escrever, por vezes ficava repetitivo, pois geralmente passo muito tempo sendo martelado pelas mesmas questões. Enfim, acabava escrevendo o mesmo texto, sobre o mesmo assunto, só que de forma diferente.

Já que eu (apesar do branco criativo sem cura) teimosamente não queria deixar o blog morrer totalmente, resolvi escrever sobre as duas coisas que eu mais gosto de degustar nesta vida: livros e discos.

E acabou que deu super certo. Uni do útil ao agradável. Em nenhum momento eu quis fazer críticas técnicas sobre as obras. Mas queria escrever sobre como essas obras me afetam de alguma forma. Cada livro lido ou disco escutado transformam, ou dá sensações ao leitor/ouvinte e por vezes inspiram a pensamentos. E nesses pensamentos surgem meus textos. A união da obra com minha percepção. E daí que, se você for ler as resenhas abaixo verão que eu acabo inserindo muito mais revelações da minha vida que informações sobre a obra propriamente dita.

Então consegui criar uma identidade pro blog. Uma maquete pronta com necessidade apenas de ser preenchida. E isto tornou meu trabalho (lazer) de escrever muito mais fácil de ser executado. E claro, menos repetitivo, uma vez que leio sobre tudo o que você imaginar e ouço músicas de todos os tipos. Então os textos ficaram do jeito que eu gosto, uma salada mista de assuntos e sons.

Capitulo 2
BemTv    

E neste universo blogueiro fiz muitos amigos. Leio muitos blogs! Se quiser um exemplo disto basta olhar para a coluna direita do monitor e vai ver mais de cem blogs que eu sigo e leio regularmente. 

A prática da blogagem tem que ter necessariamente essa camaradagem. Se uma pessoa gasta o tempo dela lendo meu texto, por quê então eu não posso gastar um tempinho lendo o texto dele como gratidão? E até comentando? Nisto ganhei muitos amigos e leitores. Se você tem um blog, não seja cú doce (termo cearense que denota boçalidade, gabolice), não ache que tudo tem que girar em torno do seu blog. Leia outros blogs, muita gente boa por aí escreve sobre coisas do seu interesse.

Pois bem, um destes leitores é o Anso Rodrigues, que escreve no excelente blog http://ansorodrigues.blogspot.com/ . Este cidadão além de blogueiro é também editor e produtor de uma TV local aqui em Fortaleza. Claro que ele, inquieto como sempre, não se acomodou a isso e resolveu criar sua própria Tv na Web, batizando-a de BemTv.


A proposta da BemTv é criar programas para a web de qualidade e, principalmente, criatividade. E Anso tem competência de sobra pra isso. Sei do profissionalismo dele porquê eu mesmo tive o prazer de trabalhar com ele em uma produtora aqui em Fortaleza. E como a produtora era pequena ele fazia só tudo: editava, dirigia, produzia, fazia assistência de produção junto comigo. Enfim, ele sabe muito bem como funciona esse universo de mídia.

E já que ele gostava muito das minhas resenhas de músicas (e dos ácidos comentários sobre discos que vezes sem contas eu compartilhava com ele nos botecos da vida regado a cerveja barata) ele teve essa ideia de me meter num programa sobre músicas. E daí surge o Prosa Disco.


Capítulo 3

Prosa Disco (ou: O primeiro programa a gente nunca esquece.) 


Então marcamos reunião para pauta (tomando uma cervejinha no Pão de Açúcar do Center 1) e basicamente o Anso disse: 

- Cara, tem segredo não, só quero que você olhe pra câmera e converse com o público como você conversa no blog. 


Há tá! Como se fosse a coisa mais fácil do mundo!

Uma coisa é você cagar sozinho no seu banheiro. Outra coisa é cagar com pessoas olhando para você.

Uma coisa é escrever sozinho de frente pro netbook. Outra coisa é você falar olhando para uma câmera e soar tão natural como verborragias em mesas de bar regadas a cerveja. Não dá! Todo mundo é corajoso na frente de um teclado (Fato!).

Enfim, coloquei uma tonelada de obstáculos. Resultado: o Anso (junto com o inseparável produtor Rodrigo Caravajal) mandaram simplesmente eu tomar naquele lugar e intimaram minha presença no local de gravação no outro dia pela manhã para gravar quatro programas duma vez só. Aí já viu né? Tive uma noite péssima!

Capitulo 4
É agora José!

Marcamos de gravar na Planet CD's. Simplesmente uma das lojas de discos mais tradicionais da cidade. O lugar é um dos meus paraísos na terra. E é lá que todo mês eu torro uma considerável parcela do meu salário. Enfim, pelo menos é um lugar onde realmente eu me sinto em casa.

Ficamos tão gratos pela calorosa recepção do Márcio (dono da loja) e dos vendedores que o Anso até fez um VTzinho pra loja.



Como não tenho nenhuma experiência nessa coisa de apresentador, estava mais perdido que cachorro que cai de carro de mudança, tremendo mais que vara verde. Boca seca, estômago embrulhado. Resumindo, estava me sentindo um completo merda e idiota.

Estupidamente achei que se eu lesse os textos no meu blog (gravamos sobre discos já comentados no blog anteriormente) eu decoraria boa parte do assunto e ficaria tudo bem. E isso foi muita burrice da minha parte. Se você está lendo até agora já deve perceber que meus textos, ao contrário do meu pênis, são beeeeeem longos!

Chega a hora, gravação do primeiro take, coletânea dos Beatles, eu super nervoso, o Anso fala GRAVANDO!!!, e de repente tem um cara parado diante da câmera, com cara de idiota, sem saber balhufas do que falar.

Deu branco total.

Então fomos para a segunda tentativa. E eu, sem nem ter ensaiado, tentei imitar a voz desses caras que apresentam programas de músicas. Tipo Vj, com aquela voz irritante super pra cima (já tinha trabalhando numa rádio uma vez e sabia exatamente como é essa voz). Ficou um horror.

Terceira tentativa, quarta tentativa...

Depois da quinta paramos as gravações. O quadro era o Anso cada vez mais puto e eu cada vez mais com vontade de sair correndo dali. Quando de repente o lado produtor-bruto-filho-da-puta (tipo Marlene Matos) tomou conta do Anso e ele me disse:

- Porra George, relaxa caralho! Eu sei e você sabe que você pode fazer essa porra! Para de ficar querendo imitar esse Vjs viadinhos da Tv, seja você mesmo porra! Conversa com a câmera! Fale normal, seja você e pronto! Você pode! Só vamos sair daqui depois que a gente terminar de gravar essa porra, nem que seja só um programa!


Enfim, depois desta "leve" prensa, respirei fundo e encarei a coisa toda. Claro que com uma das características que me acompanham quando fico nervoso: Muuuuuito palavrão!


Eis o resultado:  



Terminei de gravar esse programa e, óbvio, fiquei com a sensação de ter feito algo muito ruim, beirando o péssimo.

Anso ficou empolgado e disse que era exatamente o que ele queria.

Enfim, vá entender como funciona a cabeça de produtor/editor né?

Mas uma coisa deve ser dita, o apresentador pode ser muito ruim e falar muita asneira, mas que edição caprichada ein!?

Editor realmente tira leite de pedra!


Capítulo 5
A segunda dose sempre desce menos amarga

- E aí pessoal? Já deu? Bóra pra casa?

- Tá louco??? Bora gravar pelo menos mais duas, vá trocar essa camisa!!!

Camisa trocada, um gole d'água pra aliviar a boca seca e vamos nessa falar do álbum Vs. do Pearl Jam.

Óbvio que eu vesti uma camisa devidamente quadriculada  e um boné (depois eu vi que o boné ficou uma merda...). Era até mais fácil falar deste disco. Fiquei até pensando do por quê eu não comecei por ele. E desta vez eu tive uma ideia ótima e óbvia, pontuei algumas informações importantes num papel e pedi pro Rodrigo segurar. Pronto! Já neste precisei apenas de uma tentativa. Obviamente ao terminar eu fiquei com aquela mesma sensação da gravação anterior. Fiquei imaginando como um fã do Pearl Jam iria receber esse vídeo. E tremi na base por conta da responsabilidade.

Acabou que foi um pouco menso difícil fazer esse. Um pouco menos... Dá para perceber que ainda falo palavrões e tenho vários víciozinhos de linguagem. 

Não sei vocês, mas toda vez que me vejo num vídeo ou ouço a gravação da minha voz eu acho a coisa mais pavorosa do mundo! Parece que é outro cara falando. Nossa, se eu não fosse eu e me encontrasse por aí certamente ia achar eu mesmo muito irritante!

É, eu sou auto-crítico mesmo!

Enfim, confiram abaixo o segundo programa:



Capítulo 6
Fechando a trilogia... (Ufa!)

Trocando a camisa mais uma vez e no embalo de ter gravado num só take o programa anterior, pensei que não seria problema gravar o terceiro.

O disco escolhido desta vez foi o Rodox, segundo disco da banda que leva o mesmo nome, e que é ex-banda do Rodolfo, ex Raimundos.

Talvez você se assuste no choque que é falar dos Beatles, depois Pearl Jam e Rodox. Mesmo os três sendo considerados rock, são ramificações bem diferentes.

Agora a forma como eu escolho o álbum é que determina isso. E é muito simples. Eu vou na minha lista de músicas no Ipod, aciono o aleatório e o primeiro álbum que aparecer eu falo sobre ele.

Esta é minha forma de não ser repetitivo. Até porque sou muito de fases, e durante longos períodos costumo ouvir um mesmo tipo de som, até enjoar e partir pra outro.

Então o barato é escrever sobre um álbum super sofisticado do Pink Floyd seguido de uma resenha do Pinduca! Mistureba total! Adoro isso!

p.s. - o mesmo sistema faço com os livros, só que com eles é mais artesanal. Tenho todos eles escritos em papeizinhos numa caixa. Ai balanço a caixinha umas sete vezes e escolho o livro que vai ser comentado no blog. É, eu devo ser um doente mental mesmo! (risos) 


Tirando estas esquisitices minhas, gostei bastante deste terceiro programa. Nesta altura eu já tava na filosofia:

Está no inferno, abrace o cão então! 

E né que fluiu um pouco melhor!

Ou estou enganado? Me diga você meu nobre e crítico leitor:




Capitulo Final
Goodbye ou Hello?

Começar é sempre difícil. Realmente acho que, no geral, eu não dou conta do recado de ser um apresentador. Mas quer saber? Não custa nada tentar. Sou perfeitamente capaz de, quem sabe um dia, aprimorar mais, aprender mais etc.

Hoje olhando os vídeos me bate certo orgulho. Claro que o programa está criando forma e realmente eu não esperava ter o melhor desempenho do mundo como apresentador. O lance é encarar a coisa com certa despretensão.

Em termos de visualizações, em nenhum conseguimos a meta do Anso que era pelo menos mil. Acho que em dois tivemos um pouco mais de quinhentas e no do Pearl Jam tivemos pouco mais de trezentas. Bem, dependendo com quem você compara pode ter sido um fiasco ou um sucesso.

Comparado às visualizações no meu blog por exemplo, posso dizer que mais de quinhentas visualizações é um número astronômico! (risos)

O que me importa mesmo é o Anso e sua equipe da BemTv acreditarem no projeto. Enquanto eles estiverem no barco eu também vou estar. No pior das hipóteses eu ainda tenho meu blog e estes programas eu vou poder mostrar pros meus filhos e dizer:

- Olha aí como o papai era descolado!   

Então desde já um profundo e sincero agradecimento a todos os leitores do blog Mundo Facundo. Estes vídeos são dedicados a todos vocês!

E vem outros por aí viu!

Aguardem!

B-sides

Pois é, aproveitando o espaço para postar meus programas, aproveito também apra postar aqui, como registro, minha participação no Programa Matina (TV União - Fortaleza), no quadro Galera Matina. 

Na ocasião, eu e outros bons convidados, todos muito bem entendidos de músicas, estávamos lá para comentar a morte da Amy Winehouse e também sobre a "lenda" dos astros da música que morrem aos 27 anos.

Enfim, gostei muito de ter participado e conheci muita gente interessante, até um neto bastardo do meu bisavô...

Confiram abaixo o programa que foi dividido em duas partes:

Parte 1


Galera Matina - música from Rede União TV on Vimeo.

Parte 2


Galera Matina - música - parte 2 from Rede União TV on Vimeo.

29 Setembro 2011

Nos porões do american way of life!



Livro: A Caldeira do Diabo
Autora: Grace Metalious (1924 - 1964)
Editora: Nova Cultural -1986
Páginas: 414

Geralmente quando viajo uma grande distância de carro, em qualquer lugar do país, encontro no trajeto inúmeras cidadezinhas de beira de estrada. Alguma delas chama a atenção pela beleza, limpeza e ar de perfeição. Casinhas lindamente pintadas, uma praça central limpa, uma igreja no centro (como de praxe); pessoas aparentemente normais e pacatas transitando de um lugar para outro. Tudo no lugar! Tudo! O mercadinho, a padaria, a farmácia, tudo dentro de uma organização que pode até lembrar aquelas cidades cenográficas das novelas globais.

Geralmente cidadezinhas assim gera admiração e exclamações do tipo - Nossa! Isto aqui é o paraíso! Certamente um lugar perfeito para se viver uma boa velhice.

Tempos atrás fui fazer um bico para um grande amigo meu produtor e trabalhei dois dias como assistente de câmera num destes enormes condomínios fechados de ricaços aqui nas redondezas de Fortaleza. Curioso o grande contraste. Em um momento eu via pela janela da van casas simples, todas gradeadas, muros pichados, gente de todo tipo transitando no caos das ruas. E de repente, ao entrar nesse condomínio a paisagem da janela da van se transforma. Vejo casas gigantescas, lindamente projetadas, grama verde, brinquedos de crianças espalhadas pelo jardim, pessoas passeando despreocupadas nas ruas do condomínio. O lugar é enorme, você nem sente que está num condomínio fechado. Só se você andar muito vai perceber os muros que separam aquele mundo do outro mundo lá fora.

Quando olho para mim mesmo e comparo minha reação ao ver esses lugares em contraste com a reação maravilhada das pessoas a minha volta, por vezes assusto-me com o fato de minha reação ser sombria.

Sempre olho com pessimismo as aparentes perfeições que se mostram diante de mim. Ao me deparar, principalmente, com lugares perfeitinhos como uma cidadezinha pequena, uma instituição religiosa ou um condomínio fechado; sinto a inevitável voz da minha mente martelando a pergunta: - Muito bem, olhe com atenção para isso tudo e tente ver o que há de podre no local.

Não importa quão perfeito você aparenta ser; você sabe e eu sei que você, assim como eu e todos os outros, temos nossos demoniozinhos interiores, segredinhos, sujeirinhas etc. E isso se estende para o seio familiar e, claro, ampliando mais, as sociedades organizadas.

Desconfio muito de gente perfeitinha. É gente assim que entra em casa armado e sem motivo aparente mata toda a família suicidando-se em seguida. Imagine o perfeito e simpático atendente de padaria da sua vizinhança em situação extrema, como uma guerra por ex. Esse cara certamente vai ser aquele que comete as maiores atrocidades e no julgamento irá afirmar com frieza que estava apenas seguindo ordens.

Bons filmes mostram muito bem esta atmosfera do que há de podre nos bastidores de uma comunidade perfeitinha.

Um dos filmes certamente é Edward Mãos de Tesoura (Edward Scissorhands – 1990). E um outro filme que, com certeza, talvez chegue mais perto ainda do ponto a que eu quero chegar é o ótimo Beleza Americana (American Beauty – 1999).

Muito antes destes dois filmes, uma escritora chamada Grace Metalious (1924 – 1964) chocou a América com seu livro A Caldeira do Diabo (Peyton Place). No livro, a autora retrata a vida e rotina de uma cidadezinha do interior dos EUA chamada Payton Place. 


Ela foi uma das pioneiras a bater de frente ao conceito american way of life. O que há por trás dessa pequena e simpática cidade? Incesto, violência doméstica, tortura psicológica, existência vazia, rotina, tragédia, assassinato, partidas e retornos. Tudo isso narrado de forma visceral, arrebatando-nos como fantasmas espionando a rotina de cada casa, família e indivíduo.

Grace Metalious


Por vezes, ao ler este livro, tive realmente uma sensação claustrofóbica, mergulhando fundo junto aos dramas de alguns personagens. Ela genialmente lhe faz desenhar na mente toda a cidadezinha. Você se sente como um expectador, um voyeur, um dos velhos que ficam sentados no alpendre da mercearia no centro da cidade fumando um cachimbo, observando os moradores e acompanhando atentamente o movimento da cidade e as várias estórias por trás dela.

O livro foi grande sucesso de público (mesmo a crítica tendo taxado o livro de trash), sendo considerado o primeiro grande campeão de vendas nos EUA. E obviamente o cinema aproveitou o grande sucesso do livro para gravar o filme com o mesmo título e também foi recorde de público nas salas de cinema até aquele momento. Estou falando do ano de 1957.

Tive o prazer de encontrar este livro abarrotado com outros tantos em uma imensa prateleira em um sebo muito popular aqui no centro de Fortaleza (Sebo O Geraldo). Na imensa prateleira tinha apenas uma plaquinha dizendo Qualquer livro daqui – R$ 2,00. Então comecei a garimpar todos aqueles livros e me chamou muito a atenção esta capa com a imagem de uma linda mulher e o título A Caldeira do Diabo. Comprei o livro e não me arrependi. 

Foram dois reais muito bem empregados! 

Devorei o livro em poucos dias e realmente a cidadezinha de Payton Place deixou-me marcado para sempre com suas inúmeras estórias e seus inesquecíveis e marcantes personagens. 

23 Agosto 2011

Simon & Garfunkel: Os namoradinhos da América!


Artista: Simon and Garfunkel
Álbum: Simon and Garfunkel's Greatest Hits
Ano: 1972
Gravadora: Columbia


Não tenho absolutamente nada contra coletâneas. Elas servem como um direto ao ponto de músicas fundamentais de um artista. Juntam em um disco aquelas canções que cronologicamente foram marcantes na construção e solidificação de toda uma carreira.

É bem verdade que geralmente os fãs (e quando eu digo fãs eu quero dizer os de verdade, aqueles que curtem até os B-Sides obscuros de sua banda e artista predileto) tendem a torcer o nariz para coletâneas.

Enfim, coletânea para quem é fã é sempre assunto de polêmica, mas é necessário dizer que tem muitas coletâneas que marcaram minha vida. Como já falei neste blog antes, o primeiro contato que eu tive com o rock foi com a coletânea vermelha dos Beatles que pegava do primeiro disco da banda até o Revolver.

Quem nunca quase queimou o toca cd de tanto ouvir repetidamente o disco Legend do Bob Marley? Ou já teve dias ensolarados regados ao excelente Greatest Hits do Police?

Essa lenga-lenga é só para justificar o fato de, pela primeira vez neste blog, eu escrever sobre uma coletânea. E no caso, uma coletânea desta dupla norte-americana que são filhos legítimos e da gema de Nova York.

Paul Simon e Art Garfunkel representam para NY na música o que Woody Allen representa para NY no cinema.

Muitas de suas canções retratam o cotidiano da cidade com verdadeiras crônicas. Uma fotografia em forma de sons e poesias.

Ambos cresceram na comunidade judaica do Brooklin e se conheceram na escola ainda crianças. Encenaram uma peça juntos, ficaram amigos e criaram uma dupla chamada Tom e Jerry, sendo que, se você der uma boa olhada para a fotografia da capa do disco verá que eles estão mais para Pink e Cérebro.

Fizeram um relativo sucesso na cidade. Cresceram, foram para a faculdade e depois de um tempo retomaram as atividades musicais.

Com toda influencia folk da época, gravaram várias músicas acústicas (dentre elas The Sound of Silence) e Paul Simon, talvez decepcionado com a pouca repercussão de seu trabalho, deixou os EUA e foi ganhar a vida na Europa, mais precisamente na Inglaterra, fazendo muitas apresentações ao estilo um banquinho e um violão por vários barzinhos de lá.

Enquanto isso nos EUA, o produtor Tom Wilson pegou a versão até então acústica de The Sound of Silence e adicionou bateria, baixo e guitarra à música. E daí surgiu o grande sucesso que provavelmente foi um dos pontapés iniciais da onda de folk-rock que, num futuro muito próximo, incendiaria toda aquela geração 60/70.

Paul Simon, voltando aos EUA, deparou-se com sua música sendo exaustivamente pedida e tocada nas rádios. Retomou a parceria com Garfunkel e, aproveitando o sucesso, gravaram o álbum devidamente intitulado The Sound of Silence (1966) composto tanto de sons puramente acústicos como ao estilo folk-rock.

Assinaram a trilha sonora de um filme sucesso de bilheteria chamado A Primeira Noite de Um Homem (The Graduate - 1968) lançando as músicas The Sound of Silence e Mrs. Robinson aos ouvidos do mundo.

Num momento histórico com o planeta prestes a explodir naquele final da década de 60 cheia de revoluções culturais - a guerra fria gelando a espinha dorsal da juventude com a perspectiva de uma guerra atômica e o sangue correndo solto no Vietnã - Simon e Garfunkel cantaram aquela geração com suavidade e beleza letras que ficaram marcadas na memória e no coração de todos os que viveram aqueles anos loucos e inesquecíveis. 

Art Garfunkel e Paul Simon 


É praticamente impossível rodar qualquer filme que retrate aquela época sem uma música deles. Daí filmes como Forrest Gump (1994) e Quase Famosos (Almost Famous - 2000) que não me deixam mentir.

Entre brigas e reconciliações (como é de toda amizade), esta dupla deixou registrados cinco álbuns que certamente irei ter o prazer de degustar e escrever aqui no Mundo Facundo futuramente.

Esta coletânea retrata seus melhores momentos com alguns dos sucessos em versão ao vivo.

Obviamente, como é de toda coletânea, muita coisa boa ficou fora. Mas as que estão no disco (principalmente para aqueles que querem ter um apanhado geral da obra da dupla) tá de bom tamanho.

Simon e Garfunkel entraram em minha história com seu show ao vivo em NY, no Central Park em 19 de setembro de 1981. Faltavam menos de três meses para eu nascer, e lembro que minha mãe ouvia esse disco o tempo todo e cresci com ela falando que esse show foi feito para celebrar o meu nascimento. E eu acreditava piamente nisso!

Isso sempre ficará profundamente tatuado em minha memória.

FAIXA A FAIXA:

1 – Mrs. Robinson (Paul Simon)

Gravada originalmente para o filme A Primeira Noite de Um Homem (The Graduate – 1968), esta canção rendeu a dupla dois Grammys em 1968 nas categorias: melhor gravação e melhor desempenho nos vocais. E, até então foi o segundo grande sucesso da dupla depois de The Sound of Silence ficando aproximadamente duas semanas no topo do Hot 100 da Billboard.

A música trata da Sra. Robinson, uma típica religiosa fundamentalista americana, que nesta crônica, é a caricatura da mulher de família cheia de segredinhos e submundos por baixo dessa cobertura devota de uma mulher de sociedade acima de qualquer suspeita.

Hide it in a hiding place
Where no one ever goes.
Put it in your pantry with your cupcakes.
It's a little secret,
Just the Robinsons' affair.
Most of all, you've got to hide it
from the kids.

E, se isso não bastasse, a letra ainda dá uma alfinetada no fato de ser exatamente este tipo de gente que determinam os caminhos políticos do país.

Sitting on a sofa
On a Sunday afternoon,
Going to the candidates' debate,
Laugh about it,
Shout about it,
When you've got to choose,
Every way you look at it you lose.

2 – For Emily, Whenever I May Find Her (Paul Simon)

Você já passou pela experiência de ter um sonho maravilhoso com a pessoa que você ama, e ao despertar tem a alegria de perceber a pessoa dos teus sonhos dormindo ao seu lado?

Eu já!

E realmente é algo quase indescritível. Digo quase porque Paul Simon conseguiu descrever isso nesta linda música que, suave e forte, penetra na alma, nos arrebatando ao mais sublime sentimento.

Essa música faz parte do álbum Parsley, Sage, Rosemary & Thyme (1966), e aparece nesta coletânea em versão ao vivo.

And when I awoke
And felt you warm and near
I kissed your honey hair
With my grateful tears

3 – The Boxer (Paul Simon)

Como bom cronista, Paul Simon escreveu essa letra, inspirada em leituras da bíblia onde, em alguns textos, viu refletida a perspectiva de Deus a favor dos trabalhadores e excluídos. 

Somou isso a algumas críticas que vinha recebendo sobre seu trabalho da imprensa americana e narrou nesta canção a história deste personagem (o lutador) que como todos os demais lutadores nesta vida, apesar das intempéries, da pressão e dos adversários que se levantam, continuam na luta diária.

Simon mistura a ideia do ringue à própria vida! O que para mim, marca profundamente minha alma pelo fato de eu estar em um trabalho que envolve alguns riscos.

Trabalhando na semiliberdade de jovens e adolescentes infratores aqui em Fortaleza como educador, ando pensando muito sobre a diferença de ter medo e ser covarde. Ter medo não é problema, e a coragem implica em se enfrentar os problemas em detrimento dos medos interiores. O que é bem diferente da covardia, onde já é o medo mandando no estilo de vida da pessoa.

Então aprendo que, apesar do medo e do perigo, temos que respirar fundo e seguir em frente!

In the clearing stands a boxer
And a fighter by his trade
And he carries the reminders
Of ev'ry glove that layed him down
Or cut him till he cried out
In his anger and his shame
"I am leaving, I am leaving"
But the fighter still remains

4 – The 59th Street Bridge Song (Feelin’Groovy) (Paul Simon)
Sabe aquelas manhãs ensolaradas em que você acorda feliz da vida dando bom dia para tudo? 

Pois é, quando isso acontecer, ligue o som e coloque esta canção a todo volume!

Outra versão ao vivo que entra nesta coletânea.

I've got no deeds to do, no promises to keep
I'm dappled and drowsy and ready to sleep
Let the morning time drop all its petals on me
Life I love you, all is groovy

5 – The Sound Of Silence (Paul Simon)

Primeiro grande sucesso da dupla, The Sound Of Silence ficou conhecido no mundo por, além de ser um dos pontapés iniciais do folk-rock, ainda estar na trilha do filme A Primeira Noite de Um Homem, levando a dupla nova-iorquina ao conhecimento e a apreciação dos ouvidos em todo o mundo!

6 – I Am A Rock (Paul Simon)

Esta também foi uma das acústicas que foram transformadas em folk-rock para entrar no álbum The Sound of Silence e seguiu no rabo do foguete desta tornando-se também um grande sucesso.

Trata-se de um genuíno intelectual urbano. Fechado, introspectivo, onde só encontra verdadeira afinidade na solidão do quarto tendo como companhia livros e poesia.

Eu mesmo passo por momentos de reclusão onde não quero ver ninguém. Preciso da solitude para, digamos, recarregar minha mente, oxigenando-a com muita música e literatura, para aí sim, depois de recarregado, gastar minha alma com as outras pessoas.

Porém, no caso da música, fala de um cara que tem isso como um estilo de vida.

I have my books
And my poetry to protect me;
I am shielded in my armor,
Hiding in my room, safe within my womb.
I touch no one and no one touches me.
I am a rock,
I am an island.

And a rock feels no pain;
And an island never cries.

Conheço pessoas assim. E sinto certa pena. Pois, a princípio, realmente há certo conforto, uma vez que, já que não me exponho para ninguém, corro pouco risco de ser magoado.

Ao mesmo tempo, essa zona de conforto leva à latência emocional que impede o crescimento. 

Somos frutos de nossos erros e acertos. E até a dor pode gerar aprendizado em quem está disposto a ver a vida como uma grande sala de aula.

As experiências ruins devem gerar em nós prudência, e não medo de viver e se relacionar com os outros.

7 – Acarborough Fair / Canticle (Paul Simon & Art Garfunkel)

Agora a dupla adapta uma música do cancioneiro popular inglês onde se conta a história da feira de Acarborough, muito popular na época da Inglaterra medieval.

Tratada aqui numa versão acústica e com a voz da dupla levando a melodia a atmosferas épicas! Na  letra tem o trecho que dá nome ao título do segundo álbum da dupla Parsley, Sage, Rosemary and Thyme (1966).

8 – Homeward Bound (Paul Simon)

Outra canção do álbum PSRT e que, de forma magistral, consegue traduzir numa letra inesquecível como é a vida de um músico na estrada.

Hoje até um festival mediano é cheio de superprodução. Porém antes os músicos, mesmo no auge, tinham uma rotina estafante de shows, rodava em vãs apertadas e se hospedavam em muitos hotéis com poucas estrelas. Motivo por muitos sucumbirem às drogas e ao álcool para suportar o rojão de muitos shows.

9 – Bridge Over Troubled Water (Paul Simon)

Se existe uma canção que é capaz de quebrar o mais embrutecido coração, essa canção é Bridge Over Troubled Water, música que dá nome ao álbum lançado em 1970.

Composta numa época bastante conturbada para a dupla, uma vez que Garfunkel estava em muitos outros projetos paralelos que não a música e que, naturalmente, isso afetava bastante a amizade da dupla. E essa música, dizem, Paul Simon fez para o amigo e parceiro.

Ela foi muito impactante em minha vida numa época bastante obscura, cheio de incertezas e inseguranças. E esta deliciosa canção me veio como a voz do próprio Deus me confortando.

If you need a friend
I'm sailing right behind
Like a bridge over troubled water
I will ease your mind

10 – America (Paul Simon)

Não tem uma única vez que eu escute esta canção e não tenha calafrios. Uma música que encaro como um quadro pintando daquela época cheia de idealismo, onde muitos jovens saíam de casa, protestando contra os pais e o sistema, indo numa longa jornada em busca da América.

Todo nostálgico da década de 60 deve emocionar-se ao som desta música. E os que não viveram aqueles bons tempos, mas mesmo assim sonham com aquele momento (como eu!) deve fechar os olhos e sonhar! Sonhar com o verão do amor!

11 – Kathy’s Song (Paul Simon)

Uma canção que certamente é para um amor, ou um dos amores, que Paul Simon deixou na fria e cinzenta Inglaterra.

12 – El Condor Pasa (If I Could) (Paul Simon – J. Milchberg – D. A. Robles)

Aqui você escuta Paul Simon dando asas a sua grande curiosidade por sons de outras culturas (no caso o Peru), com sua versão em inglês da canção do peruano Daniel Robles Alomia. E como toda música peruana, aborda o desejo do homem por um estilo de vida mais natural e menos urbana.

I'd rather be a forest than a street
Yes, I would
If I could
I surely would

I'd rather feel the earth beneath my feet

13 – Bookends (Paul Simon)

Linda música que dá nome ao quarto álbum de estúdio da dupla. Uma suave canção que fala sobre um tempo de inocência que quase todos nós vivenciamos. Essa eterna nostalgia do passado presente na memória de muitos de nós. Como um sonho que já passou.

Preserve your memories, they're all that's left you...

14 – Cecilia (Paul Simon)

Música alegre que fala de uma garota que certamente fez Simon sofrer horrores por conta, digamos, dela ser daquelas que, como diria Raul Seixas:

Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais.

Cecília representa um pouco desta mulher contemporânea que, por ser independente, arrojada e feminista, acabou por absorver do homem a poligamia que ela tanto lutava contra.

Tipo - À partir de agora os homens vão beber de seu próprio veneno!

Making love in the afternoon with Cecilia
Up in my bedroom
I got up to wash my face
When I come back to bed
Someone's taken my place

Claro que, segundo a música, para a alegria do homem de malandra, ela volta pra casa e ama-o novamente.

E ele acredita.

A PREDILETA:

Difícil escolher a predileta de uma coletânea recheada de clássicos.

Porém, hoje mais uma vez vou apelar para o cinema, que é responsável por muitas de minhas descobertas musicais.

No caso, acho que essa é minha cena preferida no cinema.

E digo mais: cena predileta de meu filme predileto!

Trata-se de Quase Famosos (Amoust Famous - 2000) do meu (também) diretor predileto: Cameron Crowe.

Na cena antológica, como era muito comum na década de 60, a filha chega para a mãe e diz que vai sair de casa. E o motivo dela sair de casa está na canção America de Simon and Garfunkel, do álbum Bookends.

Então, à partir daí, a música toma conta da cena.

Em seguida a filha diz para o irmão mais novo que, embaixo da cama tem um presente que o libertará. E quando ele entra no quarto e olha embaixo da cama (bingo!) encontra uma bolsa recheada de discos clássicos do rock!

E para saber como aqueles discos irá mudar a vida dele você vai ter que ver o filme!

Então deixo vocês ao som de America!